fala

A marquesa de Pimbal, sonhando-se madame de Récamier, cultivava as letras, mas à la mode de chez nous, acolhendo um círculo literário no que restava do seu solar em Oeiras Valley. Nas reuniões avultava a presença de Heloíso da Ponte, ortografista de sua condição, que, após se escusar junto da titular pela inconveniência do tema, se insurgiu pela utilização da palavra ‘foda-se’ em vez do clássico - aliás bem ancorado na tradição local - ‘fuoda-se’. ‘- Ó da Ponte, exclamava a marquesa, lá que um meu antecessor, o Pimbal, usasse o fuoda-se da Oeiras de então… e para mais estava ali exilado… Mas os tempos são outros… agora já ninguém diz fuoda-se… é foda-se, porra! Temos de simplificar! Vale… perdão, valley?’

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