canseira
O cansaço apoderou-se de Marília Pote. Não, não era o trabalho, não eram as deslocações, não era o facto de ganhar mal, não era o já não suportar marido e filhos, não era a vitória do partido oposto ao seu, não era a derrota do seu clube na última jornada da Liga, não era o estar gorda em vez de estar magra, não era nada disso. O que a cansava era ter de respirar continuamente, ter de abrir a boca para comer, usar sempre os mesmos pés, ter de dormir por não poder estar sempre acordada, passar a vida a defecar e urinar, abrir e fechar os olhos continuamente, o coração estar sempre a bater… ‘Puxa, desabafa Marília, não podiam simplificar tudo isto... há simplex para tudo e mais alguma coisa… ’