tédio
Augusta Robiró já fez as contas por mais de uma vez. Ao longo do tempo, subiu e desceu ruas observando o semblante dos seus concidadãos. Resultado: todos, quase sempre de ar sombrio, cara entristecida, dificilmente ensaiando um sorriso. A que se deve tal tristeza estampada no rosto da multidão? Augusta concluiu tratar-se de fenómeno associado ao tédio. Vive-se numa sociedade entediada em que a dose de chatice quotidiana ultrapassa a capacidade de a enfrentar e absorver. Assim, os entediados, para afastar o tédio, correm, correm ininterruptamente atrás de tudo e mais alguma coisa, não vá sobejar um espaço de tempo por onde o tédio se infiltre. Parar é morrer, diz qualquer imbecil. E lá segue correndo.
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