vida interior
Clarisse Morgado ouvira falar em ‘vida interior’ e desde logo se pôs a imaginar que diabo de mecanismo teria o nosso corpo para proporcionar tal vida. Sim, porque Clarisse, de ‘interior’, só conhecia a ‘vida de interior’. Era ‘doméstica’, de acordo com a classificação do INE, que não se preocupa com a ‘vida interior’ dos seres objecto de estatística, pela simples e boa razão de que a ‘vida interior’ ainda não é objecto de mensuração para efeitos sócio-económicos e outros. Ora, enquanto cozinhava no fogão, Clarisse Morgado fixou o seu pensamento na Bimby da vizinha. A Bimby, essa sim, de certeza que tinha ‘vida interior’. Carregava-se num botão e hop, ela ‘pensava’ os pratos, não se limitava a fazê-los!
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