sonhos
Elvita
Não-os-Tem, do ramo feminino dos Têm-nos (Merlões de Baixo) sonha escrever
sobre os sonhos de seu avô, se bem que o mesmo jamais tivesse falado no caso, nem
tivesse escrito uma linha sobre os seus pretensos sonhos ou tenha dito que
sonhava. A avó, D. Aurora Porlostiempos, filha de um espanhol que em tempos
veio Douro abaixo (ainda não havia barragens) até ao litoral nortenho, é que
insistia, sem provas, nos famigerados sonhos do marido. Elvita acreditou nela, embora
o único testemunho relativo às noites do seu avô fosse o de uma criada antiga
que afirmava que a preocupação nocturna do falecido patrão era ter o penico à
mão para não conspurcar os lençóis. Se a coisa deu em sonho…
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