crise

‘Dia de festa!’, grita com falso entusiasmo o locutor de serviço. Deodato Maltês olha para a TV e vê tipos agarrados a minis, gajas à espera de Godot, um alto falante a debitar música caseira e as frituras de costume. Os mortos do cemitério vizinho só não dançam devido ao estado em que se encontram. A macacada respira chatice e, reflexo dos tempos que correm, quase nada lhe alegra a alma, a pinha minada como anda por depressões, síndromes de burnout, hiperactividade, défice de atenção… Nem com uma rapidinha arrebita! O locutor de serviço bem puxa pelos tristes… mas nada! Por entre a gritaria de costume a Junta de Freguesia gastou metade do seu orçamento anual neste desperdício.

 

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