a vintena
Quando Antenor Ervais fez quarenta anos tinham decorrido vinte anos desde que fizera vinte. Quando seu primo Quintino nasceu ainda faltavam vinte anos para nascer a sua irmã mais nova. Quando o seu cunhado Félix morreu tinham passado vinte anos desde o momento em que se meteu no negócio do amendoim. Quando a sua comadre Elvira mudou de sexo, há já vinte anos que andava a pensar nisso. Quando o bisavô Eduardo quis ser Eduardo VII, a sua trisavó já declarara, vinte anos antes, ‘qualquer dia interno-o!’ Face a estes exemplos, o professor Amarildo das Neves, da Academia da Inutilidade das Ciências, escreveu um ensaio intitulado ‘A vintena no quotidiano’… e já vai na quinta edição!
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