redil
Gertrudes chamava a atenção do marido para o que ela tinha por um comportamento de carneirada. ‘Se os outros fazem, lá fazes tu! Se os outros vão, lá vais tu. Se os outros gostam, tu também gostas! Se os outros se atiram ao poço, tu vais atrás!’ O Celso engolia e calava. Todos os dias, a exemplo dos demais, saía da cama pelas sete da manhã, tomava banho, vestia-se, tomava o pequeno almoço, dizia adeus à Gertrudes e seguia para a paragem do autocarro que o levaria até ao emprego. Esta mecânica matinal impregnou-lhe de tal forma o espírito que o Celso nem imaginava poder fazer algo de diferente, daí o assentimento que dava a tudo quanto lhe propusessem. No redil, é assim que as coisas se passam.
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