póstumo

De uma forma geral, o artista português, enquanto em vida, é tido por morto e quando morre faz-se tudo e mais alguma coisa para o ressuscitar. A diarreia de elogios fúnebres a qualquer finado das artes está na razão directa do desprezo a que é votado em vida. Morto, ganha o direito de aparecer na TV, ser falado na rádio e recordado na imprensa. A coisa dura o tempo de um fósforo que, por vezes, é o tempo suficiente para o falecido obter condecoração post-mortem, direito a dia de luto nacional, lugar cativo no panteão, reimpressão da obra completa, exposição retrospectiva, nome de rua e capítulo obrigatório no ensino. Cem anos depois, comemora-se o centenário da sua morte.

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