óculos escuros

Ocupava um lugar central na sala, a condizer com a sua importância. À sua roda aglomeravam-se súbditos reverentes, rendidos às parcimoniosas palavras que sua excelência se dignava dizer. Outros, mais afastados, ‘faziam horas’, aguardando por uma desistência que lhes permitisse ocupar lugar próximo do senhor importante. Mas o mais extraordinário da cena eram os imponentes óculos escuros através dos quais sua excelência via sem ser visto, vigiando os demais sem correr o risco de se adivinhar um seu qualquer interesse neste ou naquele. No jogo dos olhares criou-se uma relação assimétrica: todos estavam a ser examinados pelo senhor importante sem que ninguém desse conta de tal facto.

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