português de lei
Mirita Mateus diz que o seu tetravô, Dionísio Mateus, membro de uma quadrilha que operava no Pinhal da Azambuja, era um ‘português de lei’, dado possuir e cultivar as virtudes maiores da grei: falso temor a Deus e fingida religiosidade, simulada modéstia, esperteza saloia, honradez postiça, falsificação sem dar nas vistas e evidente desdém pelos demais. Distinguia-se, acessoriamente, por dar pancada na mulher com amante à mistura, cultivar pinga, patuscada e palavreado vicentino. Muito português, nosso contemporâneo, reúne alguns dos requisitos mínimos para ser considerado ‘português de lei’, se bem que já não opere no pinhal da Azambuja mas diante de um teclado, face a um monitor.
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