corda da roupa

 

O arquitecto Sá Murais não admite cordas para a roupa por via da ‘estética’, mas a corda é peça essencial para a compreensão da sociabilidade lusa, verdadeira radiografia feita aos condóminos: ‘Ela já pendurou a roupa… olha pôs a de côr e eu tenho a branca? O quê, outra vez a pingar! Ele faz mais cordas do que eu… e os lençóis a taparem-me a janela? Olha prendeu a corda ao candeeiro da rua!’ Nada há de mais atraente na paisagem lusitana do que uma corda de roupa carregadinha de saquinhos plásticos lavadinhos com esmero e prontos à reutilização, sinfonia à colaboração entre um derivado do petróleo, o sol e o vento. Preocupação ecológica? Bah, apenas a poupança baratucha em que a pátria é fértil.

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