saudades da capital

Em finais do século XX, o Zé deixara a aldeia a caminho da cidade. O barulho das luzes foi argumento decisivo. Mais, havia comida em caixotes do lixo, abrigo de intempérie no Metro, bancos de jardim para passar as noites amenas, cartão em quantidade para servir de colchão, a Caritas para ajudar, esmola à porta da igreja ou pedindo no passeio… As coisas, entretanto, mudaram e o Zé, vítima da idade que o fez ‘inactivo’, retornou ao seu pardieiro na aldeia. Uma pensão de miséria, esmola da sociedade de consumo, aguenta-o no dia-a-dia e à porta do tasco ouve expressões ingratas como ‘terceira idade’ e ‘Serviço Nacional de Saúde’. O Zé tem saudades da capital… 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

quebra-cabeça

protestar?

aviso