bucolismo
Alfredo Elias, pastor,
confrontou-se na serra da Gardunha com um bucólico urbano, todo ele citação
literária. O Alfredo fazia contas às horas, dado andar farto das ovelhas e,
ainda por cima, ter ‘jogo’ na TV às 20h30 na tasca da aldeia. O outro discorria
sobre o amor e a sabedoria, falava de prados, bosques, ruínas e jardins
perdidos, empregando palavras como noite, aldeia, floresta, bosque, vale,
segredo, aurora, rouxinol, rio, serra, as ‘coisas simples da vida’. Entretanto
Alfredo, sem ideais pastoris e bem preso aos elementos, meditava: ‘mas o que é que este filho da puta quer?
Ainda me fode o jogo…’ Por fim, sem paciência, disse ao bucólico: ‘- Olhe patrão, meta os sonhos no cú que eu
tenho de levar as ovelhas!
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