violência
Dorlinda Alves liga logo pela manhã o seu aparelho de TV e finge focar-se no noticiário. Enquanto o pivot fala da guerra da Ucrânia, do conflito palestino, da mudança climática, do cabaz de compras e dos fogos florestais, a Dorlinda anda atarefada com as coisas da casa. Mas Dorlinda não resiste, logo que o assunto passa para os crimes, sobretudo de sangue: o tipo que matou a mulher à facada, o que violou a sogra depois de lhe cortar o nariz, a que liquidou o namorado e lhe extirpou o coração, que, em atitude humanitária entregou num centro de colheita de orgãos… Entretanto, os hemisférios cerebrais de Dorlinda lambem gulosamente os salpicos de sangue ejaculados pela TV.
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