defeito de fabrico
Não era objecto artístico de relevo ou portador de uma história peculiar, mas vulgar espelho vendido a preço de saldo. Teobilda Miragaia olhou para ele e sentiu-se bem porque se viu como gostava de se ver. Pendurou-o na casa de banho perante os protestos do espelho preterido, objecto capaz de oferecer uma fiel reprodução a quem nele se reflectia. No ocaso da vida, Teobilda ainda se mirava e remirava naquele pobre espelho. Após a sua morte, a filha perguntava-se o que fazer com aquela ‘porcaria’? Etiqueta ainda bem colada às costas do espelho continha o preço e alertava o comprador para a razão do desconto: ‘defeito de fabrico’. Quantas vezes mais vale um rosto mentido do que aquele que Deus nos deu.
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