à ‘saída’
O meu avô jamais entrava pela ‘entrada’. No aquário perguntou à saída se valia a pena. Disseram-lhe que não, que eram os mesmos peixes de sempre. Desandámos. Num cinema procurou pelo filme à saída e disseram-lhe que não valia uma estrela. Ficou para outra vez. Na saída do metro informaram-no que não descesse porque havia uma greve. Fomos a pé. À saída da Biblioteca Nacional um tarefeiro disse-lhe que não tinham a Bíblia de Gutenberg que ele tanto me queria mostrar. Ficámos de a procurar noutra biblioteca. Há dias fui com ele ao cemitério. Desta vez entrámos pela ‘entrada’ e ele resolveu ir de caixão. Na porta de ‘saída’ só estava eu. Tenho a impressão que desta vez o meu avô se enganou.
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